Saindo da vila de Cumuruxatiba, distrito do município de Prado, o passeio é feito no barco Rei Cigano. Avistar as jubartes não é garantido, e os grupos de baleias, claro, mudam de lugar. Na semana passada, até encontrar o primeiro grupo — duas adultas e um filhote — foram sete milhas (cerca de 12 quilômetros) mar adentro, em quase duas horas de viagem.
Daí em diante, por cerca de meia hora, os animais são seguidos de perto. Soltam grandes borrifos d’água cada vez que emergem. Dentro do barco, são gritos de comemoração e cliques de máquinas fotográficas. Um hidrofone (microfone subaquático) baixa ao mar e, com sorte, é possível ouvir o canto das jubartes.
Segundo a bióloga Juliana Prataviera, que acompanha o passeio, as baleias saem da Antártica no inverno para procriar e se reproduzir nas águas quentes da Bahia.

A pressa fica no asfalto da BA-489, a 32 quilômetros de Cumuruxatiba. Na vila, onde se chega por uma estrada de terra batida, o tempo passa devagar, no ritmo das marés. Com 4.500 habitantes, o lugarejo já tem alguns confortos, como lan-houses e supermercado, e sofisticações, como ateliês de arte, restaurantes de comida internacional e regional e um café. Mas pela dificuldade de acesso e o espírito do local — várias árvores têm pendurado o cartaz “Seja educado, não ligue o som do carro” —, a vila atrai principalmente quem quer tirar o pé do acelerador da vida numa cidade grande.

Em quase todas as praias, um rio deságua, manso, no mar. Foi na foz de um dos rios de Cumuruxatiba, o Cahy, que Pedro Álvares Cabral fundeou sua esquadra pela primeira vez no Brasil, em 1500. De lá para cá, a região continua sendo descoberta — devagar, como convém — por estrangeiros e brasileiros
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